O poliéster reciclado é mais sustentável?

O poliéster é uma das fibras mais usadas na indústria têxtil, pois é um material barato, versátil e de elevada durabilidade. Contudo, o seu impacto ambiental não é positivo, uma vez que deriva de combustíveis fósseis, não sendo, de todo, um material sustentável.

Numa tentativa de explorar alternativas mais sustentáveis, o poliéster reciclado tem ganho destaque nos últimos anos. Mas será mesmo mais sustentável? É isso que vamos abordar no Hikarimar News do mês de fevereiro.

Comecemos por explicar em que consiste o poliéster reciclado. Esta fibra sintética é produzida a partir da reciclagem de garrafas PET que, depois de limpas, trituradas e derretidas, dão origem a novas fibras de poliéster.

Este processo permite dar uma nova vida ao plástico, evitando que este seja depositado em aterros ou nos oceanos. A sua produção requer um menor consumo de energia e emite uma menor quantidade de CO₂, comparativamente com a produção do poliéster convencional. O poliéster reciclado é igualmente resistente ao convencional e constitui uma forma, ainda que limitada, de incentivar a moda circular.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas. O poliéster reciclado apresenta algumas limitações. Apesar de ser uma forma de reaproveitamento de resíduos plásticos, não resolve diretamente o problema do consumo deste tipo de material. Além disso, durante a lavagem, o poliéster reciclado liberta microplásticos, que facilmente se propagam pelo ambiente, contribuindo para a poluição dos oceanos.

Por ser uma fibra reciclada, pode ser submetida a um menor número de ciclos de reciclagem, uma vez que ocorre o enfraquecimento das fibras, sendo, por vezes, necessária a introdução de poliéster virgem para aumentar a sua resistência. Por fim, o poliéster reciclado, tal como o convencional, não é biodegradável, e por isso, caso não seja descartado corretamente, poderá ter um impacto ambiental significativo.

Em suma, o poliéster reciclado não é uma solução perfeita, mas representa alguma esperança para tornar a indústria têxtil mais amiga do ambiente, ainda que com muitas limitações. Mais do que substituir um material por outro, o verdadeiro desafio passa por repensar os nossos padrões de produção e consumo.

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