Hoje dei por mim a rever fotografias de Florença. Confesso que não é a primeira vez. Faço-o muitas vezes para reviver a felicidade daqueles dias.
Foi, sem dúvida, uma experiência única que, se tivesse oportunidade, repetiria sem pensar duas vezes. Passar o verão em Itália, conhecer pessoas de todo o mundo e contactar com profissionais que trabalham com algumas das maiores marcas do mundo da moda foi inesquecível, e mais um sonho riscado da minha wishlist.
Nos últimos tempos tenho realizado alguns, mas a Hikarimar será sempre o maior de todos. Mais do que uma paixão, é uma forma de mostrar quem eu sou: o meu lado criativo, resiliente e persistente. Ao mesmo tempo, é também um dos meus maiores desafios mentais. Lidar com imprevistos, expectativas que falham, momentos em que a criatividade parece desaparecer e, por vezes, com a sensação de que talvez não exista um lugar para mim neste mundo, apesar de todo o esforço.
O mundo da moda é simultaneamente fascinante e complexo. Por alguma razão, o meu pai sempre me disse para não seguir este caminho. Mas, quando algo vive dentro do nosso coração, é impossível ignorá-lo.
Todos sabemos que é difícil competir com as gigantes da fast fashion. Com as constantes novidades, a rápida disponibilidade, os preços…
Mas, quando criei a Hikarimar, não foi apenas pela paixão pela moda. Foi também pela vontade de criar algo diferente, especial e feito à mão. Algo que permitisse que aquilo que mais me fascina neste mundo pudesse permanecer através das minhas mãos.
E, mesmo que devagar, sinto que estou a conseguir.
Receber uma notificação de uma nova encomenda continua a ser uma sensação muito especial. Mas também há dias frustrantes, em que parece que a única solução é deixar de remar contra a corrente e desistir. Mas, pergunto-me: seria realmente feliz se o fizesse?
Se há algo de que me orgulho na minha personalidade é da capacidade de arranjar sempre um plano B — ou até C. Desistir nunca foi uma opção, porque simplesmente não quero que seja.
Sou muito grata por ter a oportunidade de fazer aquilo de que realmente gosto. A todos os que permitem que este sonho continue real, mais um dia, muito obrigada.
Cláudia Magalhães

